Vacina universal contra a gripe pode estar mais perto de ser desenvolvida

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Por: João Sousa

Todos os anos, o vírus da gripe sofre mutações e é necessário criar uma nova vacina para adaptá-la à infecção. Dois estudos publicados ontem nas revistas Science e Nature mostram como o desenvolvimento de uma vacina universal contra todos os tipos de vírus da “influenza” está cada vez mais próximo.

Caso fosse criada uma vacina universal, eficaz no combate a todos os tipos de vírus da gripe, evitar-se-ia a criação anual de uma nova vacina para dar resposta às mutações verificadas no vírus.

Duas equipas distintas de investigadores relatam, através dos estudos publicados nas revistas científicas Nature e Science, o sucesso desta vacina universal em ratos e macacos de laboratório. No entanto, falta confirmar a sua eficácia em seres humanos.
60431 O principal alvo das vacinas tradicionais contra a gripe é a chamada “cabeça” da molécula hemaglutinina (HA), uma proteína presente na superfície do vírus e que permite a sua fixação nas células humanas. É essa parte da molécula que se encontra em constante mutação e as vacinas desenvolvidas todos os anos vão no sentido de acompanhar essas transformações.

Desta vez, ambas as equipas de investigadores concentraram a sua pesquisa noutra parte da molécula – no tronco, uma parte mais estável, menos sofredora de alterações frequentes e mais semelhante nas várias estirpes do vírus.

No caso do estudo divulgado na revista Nature, os testes das vacinas foram feitos com sucesso em ratos e furões. Os animais apresentavam os mesmos sintomas em relação aos humanos.

Os cientistas do Instituto Americano de Alergia e Doenças Infecciosas ligaram o tronco da hemaglutinina da estirpe H1N1 a nanopartículas e combinaram-no com um adjuvante. Depois, injectaram doses letais de H5N1 do vírus da gripe nos ratinhos e furões.

Apesar de não ter neutralizado completamente o vírus H5N1, a vacina conseguiu imunizar os animais.

Segundo Gary Nabel, responsável pelo estudo, “esta descoberta é um passo importante para o desenvolvimento de uma vacina universal contra a gripe”. Para Nabel, os componentes da vacina devem funcionar inicialmente como complementos das vacinas tradicionais e não como substitutos.
Já no caso do estudo publicado na revista Science, os cientistas, liderados por Antoinette Impagliazzo, do Instituto de Vacinas Crucell, tiveram também como foco o tronco da hemaglutinina e esforçaram-se para encontrar configurações capazes de se ligar aos anticorpos monoclonais de amplo espectro, de modo a atingir vários tipos de vírus.

O grupo de investigadores verificou uma protecção completa em ratinhos e uma resposta imunitária grande em macacos, após ter testado uma vacina.
Os investigadores estimam ter dado início ao caminho em direcção a uma vacina universal contra a gripe e salientam: “o candidato final, chamado mini-HA, tem demonstrado uma capacidade única de induzir uma resposta imunitária ampla e protectora em ratinhos e primatas não humanos”.

Para Sarah Gilbert, professora de Vacinologia na Universidade de Oxford, este avanço é muito importante, mas “as novas vacinas ainda deverão passar por testes clínicos para ver como funcionam em seres humanos (…), o que poderá levar vários anos”.
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Garry Lynch, especialista australiano, afirma, por sua vez: “para uma verdadeira protecção universal, será necessário garantir a proteção conferida por outras estirpes virais”.

Já Bruno Lina, professor de Virologia em Lyon, comenta as descobertas ao ressaltar que a criação rápida de uma vacina para imunizar os seres humanos não é possível, pois os ratos têm uma resposta imune bastante diferente dos humanos.

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