Drones: do uso em guerras à utilidade social

Por: Jean Jota

Eles estão se difundindo em larga escala pelo mundo afora. É possível que você já tenha sido pego(a) pelas câmeras de algum por ai. Com a capacidade de espionar como uma mosca, de alçar voos distantes, dinâmicos e até lançar bombas… os drones são usados por cidadãos comuns, empresas, forças armadas, facções criminosas e governos que fazem dessa tecnologia um aperfeiçoador de seus trabalhos a fim de executá-los com mais qualidade. Mas será que as consequências de seu  uso agrada a todos?

Onde surgiu

Os veículos aéreos não tripulados (VANTs) foram usados pela primeira vez pelos norte-americanos, em 1959, em missões de espionagem. A existência do programa de aviões só foi admitida pela força aérea dos Estados Unidos em 1973. No ano de 1994, as forças armadas americanas começaram a testar drones carregados com armas, com o desenvolvimento da temida aeronave Predador, criada por Abe Karem – também conhecido por “pai dos drones”.

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(Abe Karem Reprodução/ internet)

Em termos oficiais, os Estados Unidos afirmam que o primeiro avião não tripulado foi empregado em combate durante a invasão americana ao Afeganistão, a partir de outubro de 2001. Os drones carregados com armas são reconhecidamente utilizados no Afeganistão e Iraque pelas forças armadas dos Estados Unidos e pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), e também foram usados na intervenção externa na Líbia que culminou com a queda do governo de Muammar Kadafi.

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(Drone Predador- Reprodução/internet)

Entretanto, as principais críticas ao emprego de drones advêm do uso secreto e não admitido dessas aeronaves. Existem registros de ataques de drones equipados com armas no Iêmen, Somália e Paquistão, países que não são considerados zonas de guerra, o que violaria leis internacionais estabelecidas pela Convenção de Genebra.

Atualmente, drones ainda estão sendo usados como forma de combate. Na guerra da Síria, por exemplo, os Estados Unidos utilizaram um drone para, segundo a imprensa americana, matar o líder do Estado Islâmico no ano passado. A organização jihadista islamita também utilizou da tecnologia, pela primeira vez, em quase seis anos de gurra civil, como uma forma de combater seus inimigos. O equipamento usado é capaz de lançar granadas.

 

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Um drone do EI matou 2 curdos e feriu 2 franceses no Iraque em ataques em outubro de 2016

Uso social e Privacidade

Nascidos em cenários hostis e com propósitos questionáveis, os drones trouxeram, além de destruição em guerras travadas, uma preocupação a mais para cidadãos de algumas sociedades: a privacidade.

Danilo Doneda, doutor em direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e consultor da Secretaria de Proteção ao Consumidor do Ministério da Justiça, alerta para o uso dos objetos voadores na sociedade. “Essa questão dos drones está quase virando um problema restrito de proteção de dados. Muitos países estão se movimentando para fazer algum tipo de regulamentação nesse sentido”, analisa o doutor, em alusão à inercia da  Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) em relação ao assunto.

O Brasil ainda não possui uma regulamentação oficial para o uso de veículos aéreos não tripulados, mas a ANAC , responsável por qualquer tipo de regulamentação ligado ao espaço aéreo brasileiro, junto à Força Aérea militar, afirmaram que grupos técnicos dedicam-se à construção das normas para aplicação dos VANTs e que regras iniciais já começam a ser adotadas no país. 

Ainda de acordo com a ANAC, só é permitido operar quem possuir uma autorização expressa do orgão ou um Certificado de Autorização de Voo Experimental (CAVE) emitido segundo a IS nº 21-002A. Pela proposta de regulamento apresentada serão possíveis algumas operações sem autorização expressa da Agência. 

Em um mundo super vigiado por câmeras em quase todos os cantos, a questão de haver uma regulamentação para veículos aéreos não tripulados se tornou uma preocupação para várias autoridades do globo. “Na Argentina, por exemplo, a regulamentação de drones foi feita pela autoridade de proteção de dados, pensando na privacidade”, explica Doneda.

O pesquisador faz um alerta para o que talvez seja a questão mais importante: a educação. “Quando uma pessoa compra um drone com uma câmera, ela precisa ser educada para saber que aquilo não pode ser utilizado para saber o que tem no quintal do vizinho, para não ver mais do que ela veria normalmente. Muito menos invadir a casa do vizinho com o drone, porque aí cometerá um delito”.

A tecnologia de criação de drones está tão avançada e sutil que pesquisadores de países como Estados Unidos, Israel e Japão criaram os nano-drones: veículos muito pequenos com formas semelhantes a de insetos nanicos e aves.

 

Os estudos dessa nano-robótica foram financiados, segundo artigo da RT News, pelos norte-americanos a fim de aperfeiçoamento da espionagem em áreas restritas e com pouca visibilidade humana, em outras palavras, para o uso militar.

Todavia, essa tecnologia também está sendo pensada para fins medicinais. Médicos e cientistas querem implantar um tipo de nano-robô em corpos de pacientes, na tentativa de curar algum tipo de doença e compreender melhor a anatomia humana.

O que podem fazer os Nano-drones

O inseto-robô é capaz de voar e pousar em qualquer área. Pode seguir pessoas até o seu destino sem ao menos perceberem a sua presença. Além de poder segui-las, o inseto nano-robô poderá tirar fotos, filmar com sons em tempo real, dar a localização, salvar pessoas em catástrofes ou reféns presos, transmitindo informações, localização e até mesmo tirar sangue para amostras de DNA.

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(Reprodução/internet)

 

Medo do desconhecido

Tamanha é a velocidade com que se aperfeiçoa a tecnologia para drones que, para leigos, esses objetos podem causar certo pânico. Em Angicos, uma pequena cidade com pouco mais de 10 mil habitantes, a 170 quilômetros de Natal, no Rio Grande do Norte, houve momentos de desespero total.

Vários moradores compartilharam áudios, numa rede social de mensagem instantânea, para alertar os amigos sobre “OVNI”. “Ninguém sai de casa não (…) Eu estou vendo um objeto no céu, bem grande, enorme, cheio de luz e se aproximando aqui. Eu acho que é um disco voador. Corre que ele está vindo aqui!”, disse um dos moradores muito assustado com o que estava vendo. De acordo com o site Paraíba, a história foi parar em um programa de rádio local.

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(Foto tirada por um morador)

 

Logo após a confusão,  a rádio alertou que, na verdade, o objeto não identificado era um drone pertencente ao empresário Dinarte Mariz, que estava capturando imagens da região.

Confira os áudios dos moradores , no link abaixo, no momento da aparição do objeto voador: (https://soundcloud.com/fabiofariasf)

Apesar do susto dos moradores, é necessário afirmar que muitas pessoas ainda não sabem da existência desses objetos, tampouco dos novos modelos que surgem a cada ano no mercado. E esse desconhecimento pode gerar situações  inusitadas e comediantes, como esta em Angicos.

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(Reprodução/internet)

 

O futuro dos drones

De acordo com o documento da Força Aérea dos Estados Unidos sobre o plano de uso de sistemas de aeronaves não tripuladas entre 2009-2047, divulgadas em maio de 2009, o objetivo final do programa de aviões não tripulados é que as aeronaves tenham capacidade de autonomia total, isto é, reabastecimento autônomo em pleno ar, manutenção automatizada, reconhecimento e autonomia para atirar em alvos. Além disso, poderão formar “enxames” com outras aeronaves e pode deter tecnologia hipersônica para desequilibrar o adversário ao criar efeitos instantâneos em todo o espaço aéreo.

 

 

Outra curiosidade sobre o futuro dos objetos voadores é que a NASA pretende usar, em um futuro não muito distante, drones para missões no espaço. A ideia é utilizar a tecnologia para buscar amostras residuais em planetas e outros objetos espaciais. Porém, muito trabalho precisa ser feito, isto porque os drones convencionais que conhecemos, até mesmo os de última geração, não são capazes de executar tais tarefas fora da Terra.

Além disso, a distância é um fator adverso, dadas as condições de uso de GPS – logo eles terão que voar de maneira autônoma. E não apenas isso, precisarão ter rotores (que gira em torno de seu próprio eixo produzindo movimentos de rotação) bem maiores e uma propulsão a gás frio – esta necessária para realizar manobras e se deslocar em ambientes com atmosfera fina ou sem qualquer ar, como ocorre em asteroides.

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(Foto/NASA)

A arte no céu

Nem só de guerra vive um drone!

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Cirque du Soleil e drones! (Foto/Reprodução)

Em Zurique, na Suiça, pesquisadores criaram um quadricoptero, um tipo de drone, para interagir com a arte. Drones programados ajudam a criar efeitos que até agora só eram possíveis com recursos 3D.

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(Reprodução/internet)

O grupo Cirque du Soleil lançou um novo projeto, aliando tecnologia com artes. A nova peça do grupo circense foi lançada online por meio de um curta-metragem (assista). Em parceria com a Universidade ETH de Zurique, a famosa trupe utilizou drones, com um toque artístico, em sua nova história. O resultado é um símbolo da máxima relação entre homem, arte e tecnologia.

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Cirque du Soleil e drones! (Foto/Reprodução)

O futuro desses objetos voadores ainda reserva muitas surpresas. É sabido que faltam detalhes a serem debatidos em todas as esferas da sociedade, seja ela regional e/ou global. Entretanto, a ética precisa andar lado a lado na construção de ferramentas tecnológicas como os drones, para que as consequências dos atos do usufruto sejam, pelo menos na maioria das vezes, um resultado benéfico para as pessoas.

Fontes: terra.com.br; ynternix.com; cienciaecultura.bvs; senado.leg.br; anac.gov.br; tecmundo; tecmundo²

 

 

 

 

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